Posso chamar-lhe ritual, creio.
Em todos os encontros de família alargada, o quarto mais confortável será sempre palco de encontro feminino. Depois das obrigações que lhes costumam estar incumbidas (digo "lhes" porque herdei lugar vitalício na mesa dos mais novos com respectivas atribuições domésticas) o encontro num espaço onde são partilhadas as histórias mais incríveis, os segredos velados, os ensinamentos básicos de vidas com experiências tão vastas e tão diferentes.
Enquanto oradora ou - na maior parte dos casos - atenta ouvinte, sempre apreciei estes momentos. É a pertença à tribo. É o conforto da união.
Neste Domingo, com uma população bastante mais reduzida do que é habitual, o rito lá se cumpriu. Foi quando ouvi a afirmação mais genuinamente deliciosa dos últimos tempos.
M. - Oh P, tens que cuidar de ti. Estás a engordar imenso.
P. - Toda a gente me diz isso. Mas eu olho-me ao espelho e acho-me gira, o que é que eu vou fazer? Comer, naturalmente!

