Há pessoas que têm habilidade natural para escamotear a verdade. Uns são dotados para o desporto, outros para as letras, há quem tenha particular sensibilidade para a música e existem outros que são mestres na patranha.
Depois de se lhes conhecer o perfil, não são difíceis de identificar: mostram-se sempre os mais correctos, os mais honrados... enfim, são detentores de uma moralidade intocável e irrepreensível.
O que mais admiro, confesso, são as expressões faciais. Estou certa de que são objecto de treino, em frente ao espelho, de horas a fio. Quanto maior a envergadura da mentira, mais sério o semblante. Fantástico. E mesmo que façamos coceguinhas debaixo do braço, não desmontam a personagem.
Os verdadeiros artistas são pessoas admiráveis. Mas a arte do embuste não está acessível a todos - há aprendizes de mentirosos que o serão uma vida inteira, o que é uma desonra para a classe. É a esses, em particular, que dedico estas palavras: Oh minha gente, se com mentiras não se safam porque não se dedicam a outro ofício? Talvez tenham mais sorte na montagem de aviões telecomandados ou saltos livres de arranha-céus. É que ser-se enganado por um aprendiz é humilhante e deixa marcas muito profundas. Não é fácil acreditar que nos deixámos levar por alguém medíocre.
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Assim se filtra a fé nas pessoas.
4 comentários:
A mentira é sempre uma ilusão.
Uma ilusão a que ninguém poderá ficar imune, quando a toca.
[É curioso ter escrito sobre isso mesmo uns dias antes.]
Ariana Luna,
Será ilusória a mentira ou a sua opositora?
(Nada é por acaso.)
Abelha Rainha,
Só acreditamos no que queremos.
Ou no que nos fazem acreditar.
Não é uma questão simples de desmontar.
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